Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





27 outubro, 2008

Mãos ao alto!

A você, que é um bem-humorado insistente... a você, que recebe uma crítica e não perde o rebolado... a você, que comete fabulosas mancadas mas faz a promessa de ser-uma-pessoa-melhor-a-partir-do-reveillón... a você eu dedico esse texto! :]
Meu indicador de fim de ano - as árvores de natal que já estão nas vitrines dos shoppings – lembra-me que logo chegará 2009, um inocente aninho que virá ao mundo com a responsabilidade de me fazer uma pessoa:
*mais madura;
*menos dorminhoca;
*mais boazinha;
*menos péssima-motorista-no-trânsito.
Me parece que em maior ou menor proporção, todos fazem um balanço do ano que aproxima-se do fim. Aí não faltam os momentos flash backs: os momentos alegres, os tristes, as músicas mais marcantes, as novas amizades que se fizeram, as conquistas alcançadas, as derrotas... Enfim, tudo o que, misturado num caldeirão, determine se você progrediu, ou não.
Se você progrediu ou não também depende do que signifique “progredir” para cada um. Tem gente que se liga mais no lado espiritual, ou no financeiro, ou no quesito “relacionamento”, equilíbrio psicológico ou ainda na forma física(!). É por essas e outras variantes que medimos o nosso “quantos-degraus-já-subi-na-vida”. Mas também observo o progresso em uma perspectiva diferente. Se nem tanto original, é ao menos um pouco mais justa.
Se você vê uma pessoa que sonha com um sítio e, ao reencontrá-la cinco anos depois, ela já sonha com uma fazenda, você pode concluir que ela prosperou. É mais ou menos por aí essa minha perspectiva. A visão arrojada da pessoa é, ao meu ver, mais determinante que todos os outros pontos, inclusive sobre suas reais possibilidades. A questão não é onde se está, é aonde se quer chegar: Sim, essa frase parece ter sido extraviada dos livros de auto-ajuda. Mas já que 2009 já está no 10º mês de gestação , e é comum que façamos planos legais para o futuro, precisei dessa frase como gancho para redigir uma nova lei no Código Penal: “Incomodar sonhos alheios. Pena: Ser considerado um criminoso, um bandido da pior espécie, um eterno insuportável, um merecedor da todos os castigos bíblicos do antigo testamento, um verme e, ao mesmo tempo, um @3#!1)/%*#!!!!!!!!!!
Como se faz isso?(a tal da tipicidade do crime):
*Sendo um vilão clássico (estilo novela mexicana)
*Sendo um vilão muito mau (estilo Lionel Luthor)
*Sendo um vilão duvidoso (estilo Capitu)
*Desacreditando a pessoa, duvidando de sua capacidade;
*Desvalorizando o seu sonho;
*Desmerecendo sua conquista (ainda que alguém a considere pequena ou fácil);
*Dizendo palavras de desestímulo. Cês sabem. Podem até fazer de conta que não nos atinge, mas uma palavra negativa ou nos irrita ( - prejuízo) ou nos tira as forças para o projeto em vista (+ prejuízo). Em todo caso, fazer essas coisas pode provocar danos irreversíveis, traumas, ou sei lá mais o quê. Se a gente forçar um pouquinho a memória, vai lembrar de alguém na nossa adolescência ou infância que, por vontade ou por descuido disse “aquela” palavra que não deveria ter sido dita, e isso nos marcou. Hoje, se temos 20, 30, 60 anos, continuamos sendo vítimas delas, em maior ou menor intensidade, porque essas palavras não vêm de pessoas que nos são indiferentes (dessas pessoas geralmente não esperamos quase nada). Essas palavras só podem vir de alguém por quem criamos uma certa expectativa. :/
Se você não sabe, a cidade está cheia de gente perigosa. Então, não vacile. Assim como existe a orientação de se evitar lugares desertos para que não sejamos assaltados, lá vai uma orientação contra esta violência: Não saia contando seus planos por aí! (seria o mesmo que deixar sua carteira cheia de dinheiro dando sopa). Divida seu sonho com quem sonha junto com você! ;]
P.S.: Apesar da dedicatória no início, escrevi esse texto por causa de meu doce amigo J.D., que há algum tempo não está mais entre nós porque seus sonhos tão lindos, infelizmente, foram sementes lançadas num solo infértil. (Saudade...Te amo... )

22 outubro, 2008

No meio do lago tinha uma pedra

E, PRA VARIAR, começaremos pelo atual caso bam-bam-bam da mídia: o caso Eloá. Infelizmente, o desfecho da história dela foi terrível. Mas não há comentários que faltem sobre isso. Quando se joga uma pedrinha no lago, ela não afunda simplismente. Assim que a pedrinha toca a água, provoca uma sequência de ondinhas concêntricas que vai além de onde caiu. O caso Eloá foi como uma pedrona.
Antes de prosseguirmos, abro um parêntese. Talvez Lindemberg seja um psicopata, ou talvez ele apenas não saiba lidar com a rejeição. Mas todo mundo já foi feito um pouco de idiota nessa vida...já sofreu por amor...já quebrou a cara de vez em quando...e já foi, inclusive, um pouco bloqueado no msn(!). Então, lá vai um sério conselho para você que tem problemas anormais com a rejeição: SE LEVAR UM FORA, NÃO SEQÜESTRE (!). Um agente da S.W.A.T., brasileiro, disse que nunca havia presenciado a devolução de um refém ao seu sequestrador (!) e que "sentia vergonha por ser brasileiro" (comentário infeliz) diante da atuação do grupo de Operações Especiais. Ouve-se por aí que a Imprensa e o Poder Público exerceram forte influência nos atos da polícia. As consequências de uma decepção amorosa, de um comentário infeliz, da manipulação de poderes e da ineficiência da polícia são algumas das ondinhas dessa pedra. Mas, repetindo o que já havia dito acima, não há comentários que faltem sobre isso também. Fecho o parêntese.
Quando Lindemberg for sentenciado em julgamento, a sociedade fará como todo o sempre: assumirá aquele ar de missão cumprida. A justiça será feita. E o caso, aos poucos, será deixado de lado. As ondinhas irão acabar. Mas essa história ainda está só no começo. Basta olhar a longa viagem que a pedrinha fará até chegar ao fundo do poço, digo, ao fundo do lago.
São Paulo é o Estado que mais possui presídios. Mas eles encontram-se hiper-lotados.
São Paulo precisaria que fossem construídos, pelo o menos, metade do número de presídios que já possui.
Em Minas Gerais, por falta de espaço, o governo está alojando os condenados em escolas.
Em Goiás, num estádio de futebol.
Quando Lindemberg for condenado, a justiça AINDA não terá sido feita.
O que mais atrai a classe média é aquilo que está perto dela ou o que ela pretende alcançar. Não são as favelas. Não é o saneamento básico das periferias. Não é a qualidade das escolas públicas. Não são os presídios. Existem celas em que não é possível que todos os condenados se sentem. Metade fica em pé, metade descança. Nessas mesmas celas, se come, se dorme e se faz as necessidades fisiológicas. Há agressões físicas. Perversões. Corrupção por parte de policiais. Maus tratos. O sistema penitenciário brasileiro é precário. Não há segurança nele.
Quando esse barulho da mídia passar, a mãe de Eloá continuará na tristeza que não passará junto com esse barulho. O desrespeito à dignidade humana que fará de Lindemberg mais uma vítima, não vai passar. A irresponsabilidade e o despreparo dos policiais não vão passar. Então, por quê ficarmos sempre na superfície do lago se tudo é tão mais profundo que isso? As notícias passam tão depressa, e ficamos tão presos aos fatos novos que nem percebemos que vamos esquecendo, deixando tudo para trás, sempre em busca do novo. Futuras notícias de igual repercussão vão chegar, mas as futuras notícias serão mais do mesmo, porque O Problema Maior, o verdadeiro vilão tem passado despercebido: afinal, quem foi que jogou essa pedra no lago?


16 outubro, 2008

Noção do Brasil

E, continuando alegremente o nosso passeio ao lado da adorável lesminha, chegamos a uma questão importante: qual é a SUA utopia brasileira? No debate entre se os valores antigos devem dar espaço aos novos ou não, se um Brasil de qualidade é o oposto ao atual ou não, se o comunismo é a melhor saída ou não, digo que isso já não é mais uma simples questão de defesa de utopias - é a utopia para a nossa defesa. E parece que não há quem possa fugir dela. Leia isso:
"De um país em crise e cheio de mazelas, onde, segundo o IBGE, quase um quarto da população ganha R$ 4,00 por dia, o que se esperaria? Que fosse a morada de um povo infeliz, cético e pessimista, não? Não. Por incrível que pareça, não. Os brasileiros não só consideram seu país um lugar bom e ótimo para viver, como estão otimistas em relação a seu futuro e acreditam que ele se transformará numa superpotência econômica em cinco anos. Pelo o menos essa é a conclusão de um levantamento sobre a 'utopia brasileira', realizado pelo Datafolha".
Viram? Não é mais questão de brigar pelas utopias. Agora são elas que brigam por nós: se acreditamos que dias melhores virão, é porque precisamos acreditar em algo positivo para não desistirmos de fazer as mesmas coisas todos os dias, de persistirmos em nossa luta para o avanço. E em se tratando daqueles desacreditados quanto ao futuro, é porque já se prepararam antecipadamente para uma provável frustração - aqueles que desacreditam não são tão pegos de surpresa. Resta, assim, essas duas perpectivas: ou esperar pelo pior e decepcionar-se menos, ou esperar pelo melhor e assumir os riscos. Esperar-pelo-melhor lidera o ranking, como vocês já perceberam.
Seja a utopia (isto é, a projeção de um futuro ideal) positiva ou negativa, ela tende ao fracasso. Isto porque quando penso nessas utopias, penso em exagero. Não dá pra ser radical. O Brasil nunca será tão bom, nem jamais conseguirá ser tão ruim. Enrolou a cuca? Vamos abstrair um pouco. Imagine que você tem um filho de mais ou menos dois anos. Você já disse mil vezes a ele que, se colocar o dedo na tomada, leva choque. Mas, num belo dia, lá vai ele mirando o dedinho exatamente em uma tomada, sem você perceber. E ele leva o tal do choque. Por mais que você queira ficar zangado por ele não ter obedecido e pela preocupação que ele causou, saberá que não dá pra ficar zangado, porque ele ainda não desenvolveu a noção do perigo.
Tem brasileiro que não tem noção de perigo. É preconceituoso, corrupto, violento, mal-educado. Leva o "choque na tomada" e não aprende. E parece que nem percebe o quanto isso fará mal ao Brasil inteiro. Será que se pode culpá-los? Diria que sim, e adivinha porquê? Por causa da utopia negativa: desacreditam que as coisas possam tomar um rumo melhor, dizem que o Brasil não tem jeito e que, portanto, não vale a pena ser correto. São como a criança que coloca o dedo na tomada: as suas atitudes irão desencadear uma série de problemas ao país (e eles, como disse, não tem a menor noção da amplitude disso. São reducionistas demais quanto às consequências de seus atos).
Se há brasileiro SEM-NOÇÃO de perigo, também há brasileiro que é SEM-NOÇÃO. Como mostra o Datafolha, dizer que o Brasil é ótimo ou muito bom é ter uma utopia positiva demais. Nem precisa abrir os olhos. Basta escutar o noticiário pra ver que não é tudo tão lindo assim. Creio que seja desnecessário listar aqui as deficiciências brasileiras. Mas tem uma que considero determinante: esse negócio de queremos ganhar nossa autoridade pela palavra. E cadê o nosso exemplo? Políticos falam demais, pais falam demais, porque os (bons) exemplos encontram-se em déficit. Como ensinar sobre honestidade ao filho quando não se paga o salário mínimo à empregada doméstica? Mas voltando ao assunto de hoje, é o seguinte: utopias, todos temos. Mas acreditar ou desacreditar encontra-se, infelizmente, relacionado ao nível de educação: é justamente a mínima percentagem da população que tem acesso à educação que menos acredita no Brasil! Porém, essa mínima percentagem é tão errada quanto os brasileiros "sem-noção". Desacreditar o Brasil é isentar-se da responsabilidade de cada um tentar ser um pouco melhor. Acreditar no Brasil incondicinalmente é isentar-se da consciência de que ainda falta muito para torná-lo um país melhor.

13 outubro, 2008

Texto MUITO desorganizado (ainda bem!)

Os Estados Unidos passam por uma grande crise. Eles, que nos ensinaram que uma vida feliz é tê-la organizada (inclusive na desordem), que ser feliz é ter um carro, uma casa e um emprego... eles, que nos disseram e provaram que a publicidade é a alma do negócio (que nem o comercial da Qualy)...eles estão travando uma guerra. E assim como alguns guerreiros tombam na batalha, talvez eles fiquem assim: enfraquecidos e desorganizados por um bom tempo, ou até passem o bastão para outro líder mundial (quem sabe?).
...
Quando eu era criança, costumava escutar da minha mãe: "Deixe de ser desorganizada!". Ser desorganizado era considerado um defeito, e continua sendo. Hoje lutamos o tempo inteiro para organizarmos nosso futuro, nossas relações e até nossas gavetas. O típico estilo de vida norte-americano é mais ou menos assim: cada-coisa-em-seu-lugar (ou, numa versão bem abrasileirada, seria o "cada-COISA-no-seu-quadrado"). Deixando um pouco meu lado bichinho-preguiça, ter uma gaveta organizada é, realmente, uma coisa legal. Mas, e quanto à nossa gaveta pensante?
...
Os EUA lutaram muito para chegar aonde chegaram. Revolucionaram o mundo. Nos apresentaram ao hambúrguer. Organizaram-se. Dividiram opiniões: na maioria dos casos, ou se ama "o mundo" deles, ou se odeia. E por falar em quem odeia os EUA, quando tento imaginar o que Bin Laden pensou no 11 de setembro, chego sempre à mesma conclusão: a opinião cristalizada (isto é, a gaveta arrumada) pode ser algo perigoso. Se nem sempre para os outros, pelo o menos para nós mesmos.
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As mentes desorganizadas não são vazias. Mas as mentes organizadas são, de certa forma, esvaziadas aos poucos, escassas de senso crítico. Esquecem de pelo o menos tentar processar com critérios básicos os dados que recebem. São desprovidas daquela anteninha dentro da cabeça, que busca localizar soluções para problemas-que-parecem-não-ter-solução, mas também que nos dá o poderoso Desconfiômetro quando as coisas vão bem DEMAIS. Faltou desconfiômetro para os norte-americanos?
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Ter um terreno limitado, mas ainda assim otimizar seu espaço é uma coisa. Ter um terreno limitado e só ter sossego quando invadir o do outro, é outra coisa. O problema do raciocínio dos terroristas é esse: esquecem de analisar criticamente o que se encontra em suas gavetas e criticam o que se encontra nas gavetas dos outros (e ainda as explodem, usando gavetas-bomba). É o que comumente se chama de "falta de respeito para com o diferente". Seríamos terroristas também?
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E você, cara elite pensante? Como anda a sua gaveta? Não falo dos valores, nem da personalidade, nem das crenças. Pergunto pela sua tolerância com o novo, com "O outro", com o mundo que muda mais rápido que sua gavetinha, com os entulhos da caixa de e-mail...digo, com o entulhos que entram em nossa vida - e que dificilmente saem. O que você faz com eles? Não dá pra simplesmente deletar. Às vezes eles vão ficando, ficando...e se incorporam ao nosso dia, à nossa fala e, principalmente, aos nossos defeitos. Deixar a gaveta quietinha, organizadinha, é não pensar sobre ela, é não tirar o pó, é receber as informações passivamente sem oferecer qualquer resistência. É assistir ao comercial da Margarina Qualy (aquela, com o tal peruzinho - ou frango, não sei bem ao certo) e REALMENTE ACREDITAR que uma família inteira sentirá um êxtase sublime, chegará a uma apoteose, só porque estão comendo um PÃO-COM-MARGARINA!!! E, só pra acrescentar, o Instituto Brasileiro de Geologia Bloguística fez uma pesquisa. Segundo os dados obtidos, 9,5 entre 10 famílias normais passam por um verdadeiro caos pela manhã (cê sabe, né? Basta lembrar da cara que você fica quando acorda). Mas agora, falando sério: Desorganize-se. Balance os miolos. ACREDITAR EM TUDO ou DUVIDAR DE TUDO são duas coisas muito cômodas. Ambas nos impedem de refletir de modo honesto para com nós mesmos e para com o mundo.
...
O Ministério do Blog adverte: a organização pode fazer mal à saúde.
:]



07 outubro, 2008

Será que ainda dá pra ser diferente?

Sim, mas peraí! E para quê precisamos ser diferentes? Talvez para nos sentirmos mais especiais...
E de que maneira poderíamos ser mais especiais ? - Eis o tema de nossa conversa.
Momento flash back: Quem é/foi a pessoa mais popular/especial/queridinha da escola?Geralmente é aquela pessoa que pensa o impensável, que tem as MELHORES sacadas e, principalmente, que tem o ambicionado poder de fazer a turma rir muito. É aquela pessoa que chega sem cerimônia e fala com todos (inclusive com os professores) de igual pra igual. É o brother dos manos e o gentleman das minas. Enfim, a pessoa especial é a pessoa...ORIGINAL!!! (ainda bem que eu já saí da escola, portanto).
Imaginei com meus botões que ser original na China não deve ser tarefa fácil. Tudim-com-olho-puxadim. Mas não comemorem a vitória ainda, meus queridos conterrâneos. Aqui no ocidente (ou nesse mundo capitalista) a situação é ainda mais caótica. Não, não temos olhos puxados pra dar e vender, mas lembra-se do movimento punk? Era uma tentativa de contestação dos moldes sociais da época pelo comportamento rebelde, jeans rasgados e etc. Hoje, um jeans rasgado na Daslu custa MUITO DINHEIRO. E o que dizer então daquela música fenomenal "Yo soy rebelde"??? A tal da indústria cultural, além de garantir o terreno da manipulação e da massificação, ainda reservou um espaçozinho nada acanhado para OS ATOS REVOLUCIONÁRIOS CONTRA ELA MESMA!!! (pasmem). Quem já tentou lutar contra o comum acabou entrando no mesmo liquidificador. É mole? Daí, tudo aquilo que foi projetado para ser diferente/especial acaba sendo tudo igual, que nem o jeans rasgado. Tragédia grega? Então espera até ver o presente de grego!
E dentro no nosso cavalinho de Tróia, portanto, você não encontrará os bravos guerreiros épicos, mas sim a nossa monstruosa, a nossa arqui-inimiga, a terrível...MESMICE!!! Pois bem, essa cruel vilã insaciável não se conformou com a vitória sobre os jeans e resolveu pisar no campo minado das inter-relações humanas. A bandida é tão esperta que, até ao criarmos critérios "originais" para acharmos o diferente/especial em nosso parceiro, acabamos caindo na...Mesmice!!! O diferente, hoje, já é igual. O inovador já é obviamente esperado. E até o que nos surpreende já não é tão surpresa assim, tipo a surpresa que um homem das cavernas teria na frente de uma televisão. O futuro está mais ou menos imaginado, que o diga o aquecimento global :( Estamos num beco sem saída? Digo que não! :)
Depois que bate o feeling, cada um procura no outro a tal coisa diferente/especial/original, na tentativa de primeiro conhecer para, a partir daí, ver se realmente vale a pena. Porém, infelizmente, isso pode não funcionar. A vós, nobre casal apaixonado que me lê, faço um apelo: permaneça. Não é conhecer para permancer. Somente permanecendo é que se conhece. Digo essas coisas porque idealizo o "diferente" não como a latinha de Coca-cola geladíssima. Se não tomar NAQUELA HORA, esquenta e perde a graça. Imagino o "diferente" como vinho, sabem? Ganha consistência com o passar das situações, porque, ainda bem, as pessoas também mudam, como o vinho muda.
O texto acabaria aqui caso eu não fosse invadida, subitamente, por uma onda de alterismo. Então estendo o apelo: Irmãos, permaneçam! Amigos, permaneçam! Vizinhos, genros e suas sogrinhas amáveis, permaneçam! Torcedores dos piores times, eu sei que é difícil mas...permaneçam! Assim, PERMANECER não será mais para o diferente/especial/original uma questão de jeans, de Coca-cola ou de rebeldia, mas, como o próprio nome já diz, será somente uma questão de tempo ;]

03 outubro, 2008

Era uma vez um voto indeciso

Ontem, mais um debate entre candidatos. Agressões recíprocas, deliberação sobre projetos de campanha, acusações de corrupção. Então, aconteceu o inevitável: fiquei sem saber em qual deles iria votar. Explicação: Sabe quando você está numa loja, quer comprar uma calça jeans, mas a que tem o comprimento ideal fica folgada? Ou aquela calça que tem um ajuste perfeito, porém é muito curta? E aquela outra, que é muito bizarra, cheia de detalhes extravagantemente horripilantes e que te dá a sutil vontade de fazer seu maior inimigo vesti-la? Os candidatos eram exatamente essas calças jeans. Nenhum possuía o estereotipo do candidato perfeito. O que faltava em um, o outro tinha, e vice-versa. Também tinha o da espécie do jeans bizarro, é claro. Esse tipo nunca falta em período nenhum de eleição. Mas há os que votem nestes, assim como o jeans bizarro só está na loja porque tem alguém que compre. Loja democrática. Mas, voltando a falar sobre estereotipo-do-político-dos-nossos-sonhos, vou listar alguns pré-requisitos que, pelo o menos a meu ver, são consenso:
  • Idoneidade
  • Jogo de cintura
  • Dom da oratória (nada pior que um candidato que gagueja, fala errado ou é vulgar)
  • Tino pra política (cês sabem que tem a galera que NÃO TEM ISSO!!! Só se metem no bolo por causa de manobras políticas baseadas no dim-dim, e arquitetadas para dominarem o mundo!!! Muahahahahaha!!!!
  • BOAS PROPOSTAS DE GOVERNO (e, pra quem não se ligou ainda, boas propostas = propostas realmente passíveis de realização)
  • Popularidade (isto é, ginga com o povão. Nem sempre tão fácil. Essa arte milenar pode durar alguns mandatos até ser perfeitamente dominada)
  • Personalidade própria
  • (caso alguém tenha mais algum pré-requisito em mente, estou aberta a sugestões para acrescentar aqui :] )

Mas o fato é que fui dormir desiludida, ainda indecisa quanto ao meu voto. Ando preocupada com ele. Deve ser difícil não saber para onde se vai, e meu voto não sabe para onde vai. Tadinho dele. Às vezes, assumo, bate uma desesperança! Em que acreditar? Não tou falando só de política não. Por vezes, penso que ela é somente um reflexo de nossa própria insegurança. Claro que gostaríamos de candidatos ideais mas, sinceramente, será que somos cidadãos ideais? Quem nunca se sentiu uma calça jeans incompleta que atire a primeira pedra! Sempre falta alguma coisa, sempre poderíamos ter feito mais alguma coisa. E será que essa história de que toda-mudança-começa-por-nós-mesmos funciona? Pode ser que sim... Na dúvida, se vira! Faz a barra da calça ou manda a costureira dar uma "pinça" nela...