Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





27 fevereiro, 2009

O que sei sobre a verdade

Eu desconfio de quem diz: a verdade é isso, a verdade é aquilo, a verdade é... e por aí vai.
Também desconfio de quem diz: a verdade não é nada disso.
Mas eu entendo quem diz: faz tempo que tento não saber o que se passa na cabeça das pessoas - já tem me bastado o olhar delas.
Mas não entendo quem diz: eu não acredito no amor.
Eu sei que é mentira: o amor é cego.
Eu sei que é verdade: para saber se você consegue viver pra sempre com uma pessoa, é só imaginar se você consegue conviver para sempre com as falhas dela.
E a vida é assim: uma página...
E a vida não é assim: só sonho. Só realidade. Só tristeza. Só maldade. Só alegria. Há tempo de guerra e há tempo de paz.
O que eu não quero: sei perfeitamente.
O que eu quero: tudo, exceto as coisas que eu não quero.
Por que eu adoro sorrir: estica as bochechas. A vida fica mais bonita.
Porque eu sou tão chorona: Não ser pela metade. Não guardar coisas boas. Não prender no coração as dores. Então eu choro mesmo.
Quando eu digo "Não": quando eu me dou conta que nem sempre seguir o coração é o caminho mais sensato.
E sobre o fim das pessoas que não tentam: Vontade louca de voltar ao começo.
Pelo que sei: os clichês são chatos. Mas como é difícil alcançá-los...
Pelo que vejo: são tantos os lugares-comuns... que os intelectuais fogem deles...e por tanto fugirem deles...fizeram dessa fuga mais um lugar-comum.
Eu sou: Danielle, uma pessoa.
Eu não sou: uma pessoa, somente.
O que eu sou, além de uma pessoa: Filha, irmã, amiga, aluna, vizinha, pedestre, leitora, cliente, cidadã, motorista, sobrinha, neta, paciente, moradora, um número no IBGE, mamífero, escritora, hóspede, turista, moça, transeunte, eleitora, humana.
E, por causa de tudo, por causa de tanto, por ser tão difícil entender a nós mesmos, falo sobre a verdade: a única coisa que sei sobre ela, é que ela ainda não sabe muito sobre nós.


20 fevereiro, 2009

Três coisas

.
A Notícia Eu não queria esquecer a indignação. Mas a notícia que me faz estremecer no jornal de anteontem, hoje não me vem mais à memória, porque sempre existem novas histórias, que me exigem novas indignações. Assim a televisão deságua em minha sala – um rio das tristezas alheias. Da tristeza cosmopolita.

Como não pensar sobre estas notícias de todos os dias? Quantos tem pensando sobre elas? Já sei: não pensamos por causa da Impotência, da Desinformação, da Alienação (palavras tão honestas e clichês, adoradas pela crítica). Mas essa crítica se esquece de uma – da Tristeza, pela realidade. Sim, as pessoas sentem por tudo isso, mas sabem também que, afora a educação, a única oportunidade de alterar alguma coisa é eleger melhores candidatos. Melhores candidatos??? O descrédito, infelizmente, reina neste país. E se somos conhecidos como um povo positivo, de esperanças insistentes, pode acreditar: essa força não está consolidada naqueles lá de Brasília. Está na força do nosso braço; na força do trabalhador comum, da pessoa comum - esta que é vulgarmente chamada de “massa”, que não sai na TV a não ser em caso de tragédia (a personificação da própria Tristeza).
.
A Tristeza A tragédia e a tristeza nos envelhecem muito mais que o passar do tempo. Talvez sejam elas o verdadeiro cronômetro. As notícias invadem as nossas casas, as nossas vidas (e o que se pode fazer sobre elas?). Talvez a crítica esteja certa. Mas o que realmente importa ter a razão, quando se está diante da violência, da corrupção, da morte? Tudo o que se pede é paz (mas as mães de Israel não podem ter paz. Nem as mães de filhos traficantes. Nem as mães de filhos em penitenciárias).

Digo que a notícia é o que sabemos todo dia sobre o mundo e sobre nós. Digo que a tristeza é a consciência do que se sente impotente para fazer, e digo que o verdadeiro tempo não é o que existimos, é o que vivemos.
.
(Calouros de universidades brasileiras são torturados - por universitários brasileiros. Corrupção no TJ do Maranhão. Um castelo construído no interior de Minas Gerais. Parece que a marola, como Lula definiu a crise, está virando um tsunami. Desemprego. As famílias de Santa Catarina. Na Suíça, Paula Oliveira confessa ter mentido ao se dizer grávida de gêmeas, espancada e retalhada com estilete por neofascistas.)
.
O Tempo Uma pergunta: existe notícia velha?
Para quem a vive, digo que não.
.
“Quantas semanas tem um dia e quantos anos tem um mês?”(Pablo Neruda)
O tempo, realmente, é relativo.
.

12 fevereiro, 2009

Você tem saudade de quê?

...E depois de muitos e muitos dias sem postar aqui, senti saudade do Blog.
-
Saudade é quando a gente manda uma coisa sair de nosso coração, mas ela não vai embora: ao invés disso, deita no sofá, liga a televisão e nos pede um cafuné, bem esparramada em nossa vida. Eu sei que daqui a dez anos vou sentir saudade das coisas que estão acontecendo agora. É sempre assim, não é? Tudo o que a gente faz (ou tenta fazer) é para que os outros tenham saudade da gente e nos queiram sempre por perto. Nos querendo sempre por perto, farão de tudo para nos magoar menos, nos decepcionar menos. Às vezes não conseguem, porque são humanos e, portanto, falhos. Assim nos afastamos, até que essas pessoas se acostumem a ter saudade da gente e não lutem mais por nós, e se acomodem, e apenas lembrem com um brilho no olhar os bons momentos que vivemos juntos.
Queria deixar a saudade como algo precioso, só pras pessoas que já partiram. Como é estranho sentir saudade de uma pessoa que está perto da gente (vale na mesma cidade)! Por que eu simplemente não telefono, e digo: "Ei, estou sentindo sua falta! Vamos sair uma tarde dessas para tomar um sorvete e conversarmos?". Ah... mas essas mágoas... mas essas decepções que temos... Elas tentam estragar o plano. Eu já magoei, já decepcionei. E foi tão bom dar um abraço do tamanho do mundo inteiro depois disso! Que coisa sem preço é se sentir perdoado. Saber que aquela pessoa te quer junto apesar de quem você é. Mas que coisa linda que é o perdão! Ele consegue fazer a saudade não ser eterna. Do que é que você tem saudade? Voltar não é regredir.
Que coisa chata que seria o mundo sem a saudade! Como é que a gente iria saber se algo foi realmente bom se não sentíssemos nem um pouquinho a sua falta? Que coisa mais estranha que seria a vida se a gente não sentisse falta das pessoas! Como é que iríamos tentar não decepcioná-las? Se, por acaso, acontecer de você não poder de jeito nenhum voltar e matar a saudade (o que acho muito difícil, só em casos extremos mesmo), não tem problema: vá tratar de construir coisas tão especiais como aquelas :]
Quando eu era criança, eu subia no alto de alguma coisa e me jogava no ar, porque os braços do meu pai estavam abertos pra me segurar. Eu confiava simplesmente, eu sabia que ele estava ali e isso bastava. Eu fazia muitos castelinhos de areia na praia, e enfeitava com tampinhas e canudos. Então uma onda vinha e derrubava tudo. Mas eu nem ligava. Apenas sorria e começava a construir outro castelo, dizendo em voz alta que o faria ainda maior e mais bonito. Confiar e sempre começar de novo. Hoje eu tenho essa saudade: de ser a criança que eu era.