Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





13 abril, 2009

Tanta máscara

Ser pessoa já significa ser ator - porque se faz preciso subir num palco diante de olhares, e quanto mais verdadeira é a atuação, mais rendem louvores. Porque quando se fecham as cortinas, novamente se está só. E mesmo nesta solidão, ser pessoa ainda é ser ator. Porque haveremos de representar um outro papel, o de ser humano.

Mas é que tem cenas de risos. E de choro. E de reflexão. E monólogo, e diálogo. Ser exímio ator em todas elas? Não posso. Mundo, não exija de mim a mais perfeita atuação. Platéia, não me leve nem rosas nem vaias. Apenas me assista. E se no fim minhas palavras agradarem, me coloquem aspas em meus dois lados e me levem por aí, e me citem nas rodas de amigos, em seus cadernos e diários, em seus livros. Usem-me como referência bibliográfica.

E se no fim o espetáculo não for assim tão bom como deveria, me deixem em paz para reescrever essa peça, para recomeçar. Eu sempre poderei recomeçar. Talvez não a partir das linhas primeiras, mas de algum momento em que se troca de cenário e de vestes, e as cortinas estão fechadas e não há ninguém observando. No escuro do palco.

Tanta máscara. E assim no espelho se perdeu a face de Clarice. A música de Lennon. A voz de Lutero. A paz de Gandhi. E tantas outras máscaras surgem e desaparecem todos os dias. E de todas elas haveremos de nos esquecer, ou nos lembrar, nesse fluxo e refluxo todo o tempo. Não é que eu desisti da arte... Mas sei que o palco e suas luzes e falas mostram minha vida acontecer demais sem mim. Mais do que deveria. De tão preocupada que fico em lembrar de ser, esqueço de existir. Não é que parei de atuar... Mas é das cadeiras do imenso teatro que eu posso ser mais eu - ali, quietinha e surpresa com esse tão lindo espetáculo que se renova a cada manhã. E me surpreendo com os simples e despretenciosos coadjuvantes que dão tanta vida a essa vida. E não tenho tanta raiva assim dos vilões. E desconfio dos mocinhos.