Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





26 fevereiro, 2010

Aos meus amigos descomuns

Uma coisa interessante é quando a gente fica de saco cheio de falar sobre coisas sérias. Já não bastam os nossos pensamentos? Me diga, pelo amor de Deus: qual o real motivo de andar prum lado e pro outro com a testa franzida? Hein? Hein? O que eu sei é que estamos chegando naquela fase de ficarmos parecidos com adultos. Ou ao menos ao ponto de nossa família acreditar nisso. Mas eu penso assim: que seriedade não deveria ser um estilo de vida. Seriedade deveria ser um coringa, uma carta na manga que a gente só joga naqueles momentos decisivos – o momento de se impor. E se alguém é maluco o suficiente pra querer se impor o tempo todo, ocorre justamente o contrário: ninguém consegue levar essa pessoa a sério. Tou dizendo isso porque nas rodas entre amigos fazemos parte de um treinamento tácito. Somos avaliados em tempo integral, somos postos à prova, e, como se não bastasse, somos envolvidos por quase todo tipo de sentimento, como se um raio caísse em nossa cabeça a cada instante, dando choques, chacoalhando, mostrando que nada fica do jeito que está por muito tempo. Existe uma pressão silenciosa, existe um apoio expresso dos nossos amigos, existe o blefe de nossos inimigos, e entre uma coisa e outra ficamos nós, quase adultos quase doidos pra experimentar muitas coisas dessa vida, e aí fazemos cara de sérios, e ficamos pesados aos poucos (mas tendo muita vontade de sermos leves), e ficamos sorridentes (mas sempre vigilantes). Enfim, nem eu mesma sei o que estou dizendo, eu apenas queria dizer. Dizer que passar por tudo isso é um des/prazer (o que importa?), e que as pequenas ciladas de nosso coração vão nos traumatizar ad infinitum, mas ainda assim minha esperança espera que ainda persistam aqueles que não se confiem só no coringa, nem no plus de saber blefar. Alguns que joguem esse jogo e, nos intervalos, saiam pra beber coca-cola e comer sanduíche como se nossa vida fosse tranqüilidade, e nada nesse jogo fosse importante demais, ou levado a sério demais a ponto de nos decretarmos perdedores.

25 fevereiro, 2010

Lar doce blog

Senti saudade do blog. Uma saudade gostosinha, daquelas que você sabe que pode matar na hora que bem entender. Só que mesmo podendo, não matei. Deixei que se prolongasse por bons meses, até que eu ficasse farta de estórias, e sensações, e energias, e descobertas, como alguém que chega de viagem com a mala cheia de presentes e de fotografias e de vivências. Mas minha mala tá uma bagunça - cheia de entulho e cheia de coisas bonitas.
Depois de tanto tempo a viagem cessa, e eu chego em casa, eu entro em meu quarto. Deito na cama e sei que tenho que arrumar a bendita mala. Colocar tudo dentro do armário, colocar as fotos no álbum, colocar as lembranças bem lá dentro de mim. É muita coisa, é muito trabalho. É uma vontade de viajar de novo, é uma necessidade de ficar, é um desejo de partir, é um sonho de nunca precisar ter de ir. E toda vez que eu quis demais uma coisa, acontecia a outra. E se o relógio fazia tic eu queria escutar o tac. E se me diziam bom dia eu queria responder boa noite. E se me falavam em amor eu procurava a solidão. E se eu sorria até por uma flor, vinham os espinhos e me diziam: Não.
Então eu fui só devaneio, e atitude, e surpresa. Aprendi o que aprendo sempre: que preciso aprender. Errei, porque eu erro sempre: e ainda assim preciso não entender. Pois sei que no dia em que eu entender, eu vou achar justo. E eu quero é que nada disso seja justo, e que para mim tudo seja para sempre um grande absurdo. Então tou de volta, matando a saudade de pensar de um jeito bom, fresco, cheiroso, delicado. Tou com vontade de ser otimista, de ser clichê, de mandar o cinismo pros infernos, de fazer do meu passado um travesseiro agrícola, que toda noite fala ao meu ouvido: se você quer as acerolas, o que faz semeando tantas laranjas?