Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





13 abril, 2010

Não somos tão fracos

Eu e João tínhamos uma casa. Ali mulher não mandava, não opinava, não colocava jarros cor de rosa. Ali a cerveja saía pelas torneiras, a toalha ficava em cima da cama, o volume do som nunca incomodava. Era o nosso humilde reino, o nosso habitat, o clube dos brothers. Mas eis que veio uma fulaninha, cuja terra natal só poderia ser o quinto dos infernos, e achou por bem enlaçar meu pobre amigo - com suas pernas, com seu requebrado, com seu maravilhoso pudim de leite que-só-ela-sabia-fazer.
Eu disse: "João, acorda cara. Essa mulher vai te arrancar a paz de espírito". Foi o meu primeiro assopro. E adiantou? Pouco tempo depois flagrei João perguntando o que ela preferia (se ir ao cinema ou ver um show de Sandy e Júnior). Nesse dia eu lhe esbofeteei a cara. Foi meu segundo assopro. Num terceiro momento, o fatal, João veio com essa: "Pô, acho que toalha em cima da cama não é legal". Aquilo era um sutil sintoma de doença muito grave. Foi demais pra mim. E no terceiro assopro eu fui embora.
João casou com a fulaninha, teve algumas aventuras com beltraninha, teve filhos. Eu? Eu implantei novos reinos, ri, bebi e vivi, conheci outros otários que tiveram o mesmo fim que ele. Ele... eu sinto demais a falta dele. Meu primeiro Brother. O parceiro inseparável. Eu queria conhecer os filhos dele, responder a alguma pergunta que quem sabe eles quisessem muito saber. Eu queria ensinar a fazer aviãozinho, a driblar os lanterninhas do cinema. Eu queria provar de novo aquele maldito pudim de leite. Eu queria um reino sem a tirania da minha liberdade.

07 abril, 2010

Eu era uma baratinha que um dia levou um banho de detefon, e desde então sempre saía de um lado para outro, totalmente desnorteada, querendo pelo-amor-de-Deus encontrar um buraquinho para me esconder antes que alguma sandália acertasse em cheio.
Mas não é que de repente eu tive sorte? Lá estava o buraquinho salvador da Pátria, um buraquinho em que eu cabia toda confortável, praticamente uma cama com lençol vendo filme em dia de chuva. E o buraquinho me protegeu quando todos os saltos e botas e tamancos queriam me fazer a estrela da festa. Ufa! Respirei aliviada. Enfim eu tinha um amigo, um abrigo, um portozinho (in)seguro.
Como eu poderia agradecer? Não poderia. Lembrarei pra sempre das primeiras vezes em que a gente disse: "Sério? Eu também penso sobre isso!". Desde então o buraquinho foi crescendo, crescendo, até ser maior que qualquer coisa, maior que o tamanco mais pesado. Hoje eu sou uma baratinha que tira onda e sai correndo.
Pro melhor dos buraquinhos.

06 abril, 2010

Eu não tenho um amor, eu tenho um abraço

Hoje de manhã, enquanto cozinhava o arroz para o almoço, eu repeti entre lágrimas inúmeras vezes que você não me ama, que você não é meu amigo, que você nunca gostou de mim, que você não me ama, que você não é meu amigo, que você nunca gostou de mim.

Meus sonhos nunca foram seus sonhos.

Minha dor nunca foi sua dor.
Minha saudade nunca foi surpreendida.
Mas você me abraça.
Para que seus sonhos não sejam só seus.
Para que sua dor seja dividida.
Para que nunca mais você precise lembrar do que é sentir saudade.