Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





26 maio, 2010

Volta às Aulas


Minhas férias =) =p

As moças eram bem bonitas. Quase feias. Mas quando mexiam no cabelo pareciam quase anjos, muito más. Um pobre jovem me disse que um dia amou a todas elas e quis prová-las todas, sem saber que na cidade não havia gasolina suficiente. Flores suficientes. Cinemas suficientes. Nisso as crianças eram bem comportadas, quase ensandecidas. Uma pobre jovem me disse que um dia quis educá-las e brincá-las todas, sem saber que na cidade não havia amor suficiente. Pirulitos suficientes. Moral suficiente. Na placa de um monumento eu li que o primeiro prostituto da cidade era quase interessante de tão silencioso, e por conhecer as necessidades da maioria dos moradores, tornou-se conselheiro do prefeito. Certa tarde, enquanto eu tomava um sorvete, o mal tentou invadir a cidade com gigantes aranhas assassinas voadoras. A população entrou em pânico! Mas um bom vovô, sentado em sua cadeira de balanço, sorria inconsolável. Ele me disse que não tivesse medo, pois as gigantes aranhas assassinas voadoras logo iriam embora. "A cidade não tem dor suficiente para tanta morte", disse o vovô em toda a sua sabedoria. E antes mesmo que eu terminasse meu sorvete, elas se desanimaram e partiram. Minhas férias foram muito legais.

Fim

19 maio, 2010

Que ninguém nos ouça

Os personagens deste blog se reuniram em assembléia ontem (por causa do fim das histórias que eu dava pra eles). Concluíram que eu realmente merecia uma punição. No mínimo, ser colocada também dentro de uma história. No máximo, ser interditada. Acreditando ser a primeira opção mais educativa e resocializadora, me tiraram do mundo (ir)real para que eu cumprisse minha sentença.
Entro no carro. Pra onde vamos? E assim tudo começa mais uma vez. Lá vamos nós! Semáforo. E aí, já sabe pra onde vamos? Certo, certo, vou seguir em frente. Não sei como estou hoje. Precisando conversar com você, acho. Tenho me sentido muito sozinha. É claro que vi o motociclista... você quer dirigir por mim? Eu sei que você está decepcionado comigo (você nem faz questão de disfarçar mesmo), mas eu queria que essa noite a gente se divertisse, sem peso, sem nada. Chegamos. Você vai descer, não vai? Sim, travei as portas. Todas. Ei, não ligue se não falarem com você, tá? Apenas sorria, mapeie a área e localize alguém interessante. Quer guaraná? Sim, aquele ali é com certeza muito interessante... mas eu sei que ele te incomoda. Vamos procurar outra pessoa. Que pena, não há outra pessoa. Então vem comigo, me contento em ficar com você ali, naquele cantinho. É sempre bom encostar em seu ombro ossudo (risos). Sim, sim, aquela menina parece dissimulada. Ei, já imaginou se um dia... (adoro quando você interrompe meu raciocínio... mas ok, hoje estou topando qualquer coisa). Que idéia genial você teve agora? Sim, seu besta, mesmo sem óculos eu enxergo as estrelas, só que elas brilham menos. Verdade, nunca mais tinha vindo aqui. O mar está calmo né? Se não fosse morrer de frio depois, arriscaria um mergulho. Nem pensar... eu vou deixar seu casaco todo encharcado! Vamos ficar assim juntinhos mesmo. Se eu pudesse, ficaria deitada aqui com você pra sempre. Ainda bem que amanhã ainda é domingo, né? E agora me abrace bem forte... Eu nem deveria dizer isso, para que "certas" pessoas não ficassem convencidas... mas você é o ego mais doce que alguém poderia ter.

17 maio, 2010

Por que raios eu não fugi dessa igreja?

Minha maquiagem sempre fica meio mal feita. Logo, nunca serei uma mulher plena. E também raramente me sinto bem usando saltos. E me falta a paciência para depilar a perna com cera. É que não me lembro de terem me pedido pra ser mulher. Só me ensaiaram a beleza, me disseram a feiúra, me fizeram a tristeza. E, no mais, eu sempre estive confortável sendo menina, aspirante a tola, tola a aspirante. A mulher em mim só aparece de vez em quando. Pra pedir dinheiro, pra pedir um pouco de amor.
Bem... eu não tenho dinheiro, eu não tenho amor. Sugeri que ela pedisse o divórcio e me deixasse em paz. Ela disse que só iria se dividíssemos os bens, que era seu direito, que metade de mim pertencia a ela. Quer que eu vá à falência, mulher? Então não nos divorciamos. Ela blablablablando que quer porque quer uma casa mais organizada, as roupas mais bonitas, as decisões mais firmes. Eu querendo meus livros, minha rede, meu futebol. Cerveja não, que dá barriga.

13 maio, 2010

E depois disso ela jogou fora o crachá

E porque o jeito dela parecia o de uma secretária, ele lhe falou sobre clipes e pastas de arquivo. Acabou que o encontro foi mais desconcertante que homem tentando se equilibrar em salto alto (é que ela defendia o anarquismo). Então ele deixou isso pra lá, porque quanto mais se sentia só, mais tinha medo das pessoas. Resolveu que bom mesmo era sair por aí com um destino triste e poético no bolso, e que por favor esse destino acontecesse. Para que ele pudesse ser e pensar diferente de qualquer um; e não chorar, como qualquer um.

E porque um dia ele amou uma namoradinha - que se tornava odiosa ao menos uma vez por mês - ele quis amá-la ainda mais nestes dias para provar não sei o quê, violentando sua própria natureza - que se tornava odiosa ao menos uma vez por mês. Mas ao menos ele tinha sua quota de amor mal resolvido, sua leve e viciante crise existencial e a conhecida resignação em seu estado mais puro. E porque tudo estava em seu lugar ele quis ter o equilíbrio da ponderação da serenidade da sabedoria; e quis um dia dormir pra nunca mais acordar (o mesmo).

E foi assim que ele pensou sobre todas as coisas deste mundo, e nisso se empenhou de tal maneira que acabou esquecendo do que nunca lembrou. Daí ele reencontrou a anarquista, só pra lhe falar sobre Marx e Hitler. Mas parecia que o homem ainda estava lá, brigando com o salto alto, a lhe pisar o orgulho supremo. Ah... Se ao menos ele observasse o crachá... entenderia que ela era sim uma secretária, e por ele se apaixonaria caso ganhasse no aniversário um perfurador ou um porta canetas.


03 maio, 2010

Ignácio

Vulgo Pipa. Uma figura academicamente irrelevante, uma estrutura esteticamente indesejável, um amigo facilmente esquecível de telefonar. E não só isso. Quem se desse ao trabalho de observá-lo um pouco mais poderia descobrir um familiar desinfluente, um talento duvidoso, um ser de raciocínio tipicamente generalizável.

Era irremediavelmente popular. O popular descartável, claro. Que servia para o riso, para o sarcasmo, para ocupar o tempo quando não havia assunto mais importante. E logo, logo Pipa era esquecido. Precisava ser esquecido. Mas não havia ninguém que deitasse na cama desejando magoá-lo no dia seguinte. E não havia ninguém que dele esperasse uma resposta. E não havia ninguém que dele cobrasse alguma melhora.

Ainda assim ninguém o invejava. Porque era melhor ser melhor. Porque tudo parecia ter mais sentido, tudo parecia tão mais bonito quando as pessoas sorriam... Então, no dia em que os céus se fecharam em sangue e a dor e as lágrimas inundaram o mundo por quarenta dias e quarenta noites, Pipa entrou em seu barco junto com seus amigos imaginários e ficou observando. Também ninguém lembrou de lhe pedir socorro. Mesmo o barco estando tão perto.