Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





23 setembro, 2010

Paz

Como era difícil não ter pra quem contar os segredos! Por isso ele sempre voltava e devolvia os chicletes e os chocolates. Ela por sua vez ainda permanecia meio ríspida e nem sequer o encarava, com aqueles olhinhos brilhando de um ódio bobo. Claro que ele não tinha paciência para aquelas coisas de menina, mas era preciso ficar e esperar até que o orgulho dela fosse se estabilizando. Daí ela se cansava, guardava os doces na mochila e lhe dirigia as primeiras palavras (ainda envolvidas com fogo). Mas então ele abrandava, abrandava, e enfim ele tinha de volta sua hiper-amiga-parceira-companheira-escoteira-comparsa-confidente-de-todas-as-horas.
Naquele dia voltavam da escola pelo caminho mais longo, porque a conversa era interessante demais e eles precisavam terminá-la antes de chegarem em suas casas. Então encontraram uma borboletinha machucada perto do meio fio. Foi nesse dia que a menina eternizou o garotinho no coração dela. Enquando ele levantava a borboleta pelas asinhas e a colocava na mão para que pudesse observá-la melhor, ela pensava que as brigas bobas nunca seriam suficientes para separá-los neste mundo. Como ela poderia querer mal a alguém que já acordava pensando em chamá-la para brincar de subir em árvore?
A borboletinha morreu nas mãos dele, e ele ficou bem triste. Enterrou ela no jardim da dona Olga. Quando se virou para a garotinha, ela tinha um sorriso esquecido no rosto, e ele não entendeu e até ficou meio contrariado com a insensibilidade dela diante de tão triste morte. E a partir daí ele nunca mais a compreendeu. A infância já ia embora, e chegava a adolescência, e chegava a vida. E para ele a garotinha passou a ser mais uma oblíqua e dissimulada, porque no dia em que uma borboletinha morreu ela havia sorrido.

13 setembro, 2010

Guerra

Vocês não podem entender uma mulher. E isso não é uma constatação, é uma ordem. Não se arrependam de uma mulher, não queiram voltá-la atrás, não tentem recomeçá-la. Não mudem o seu sol de lugar só pra ver como fica a sombra. Não mudem sequer a sombra, só pra ver se ela muda de lugar. Não se preocupem com a sua espera, não queiram que ela se apresse, não mandem que ela se cale. Não decidam nada por ela.

Deixem que ela goste de dormir de conchinha, que continue a ter a esperança por sobrenome, que prossiga tentando ser diferente a partir das segundas feiras, que seja óbvia, previsível, e que seja tantas. É isso que a faz viva numa cidade tão pequenina e incompreensiva com o seu ego. Permitam que ela tenha nascido mulher. Nascer assim é algo que não tem volta. É um segredo que não se conta, que não se divide. Adiantaria dividir? Não adiantaria. Então vamos lá.

Como sonhar por um bebê que se carrega no ventre sem afrontá-lo em sua futura personalidade? Poderíamos repetir mil vezes: não, não faça isso. Mas agora é sempre tarde. Nós pensamos, pensamos isso. Isso, nisso, aquilo, por isso, omisso. Choques elétricos? Perderam a graça. Frio. Vocês sentem frio. Sentimos pena? Não sentimos. Mas aí deixamos vocês com uma vontade doida de viver mais um dia. E fazemos mais: não lhes damos mais um dia. Se nos fazem perguntas, damos as melhores respostas. As que fazem refletir por horas inteiras, até que não se chegue a lugar nenhum. Isso é maldade? Vejam, nós dormimos o sono das injustas. Das que nunca foram boazinhas consigo mesmas. Colocamos vocês na cadeira de rodas, vamos levá-los agora a um passeiozinho. Primeiro, deitamos vocês aqui. Isso, com cuidado. Agora amarramos suas mãos com essa corda, firme. Não, com esse nó não, que é fácil de soltar. Amarramos as pernas também. Agora leremos um texto do Bukowski. Aliás, Bukowski não, que até com ele conseguimos ficar sensíveis.

10 setembro, 2010

Historinha ao contrário

O menino que inventava historinhas estava o tempo todo olhando as pessoas e imaginando coisas. Mas apesar de inventar historinhas, ele não se considerava um "inventor de historinhas". E não era só isso. Ele também meninava muito por aí, e não se considerava menino. Ele futurava muito, inclusive. Mas não acreditava em futuro. Na verdade ele não acreditava em três coisas: em futuro, em assombração, e na maldade das baratas.
Em todas as outras coisas deste mundo ele acreditava, e justamente por isso observava as pessoas. Era divertido brincar de acreditar no mundo delas, e fazer de conta que levava a sério o que elas levavam a sério. Como se ele estivesse em um cinema bem bem gigante, com coisas e cenas que pareciam muito reais. E ao voltar pra casa, voltava extasiado de tanta emoção, de tantos efeitos especiais e tanta criatividade! Ou então voltava cheio, de saco cheio de tanta porcaria. Mas enfim o cinema era um lugar bom de se viver. E tinha todo tipo de ator, e todo tipo de desfecho - que o menino chamava de reconfecho, porque toda fechadura de alguma coisa era uma abridura de outra coisa. E toda história remetia a outra, que nem os filmes do Tarantino.
Como já disse, e como ficará demonstrado no último parágrafo, ele gastava seu tempo inventando histórias (esdrúxulas).
Porque em geral as conversas que ele escutava no meio das gentes eram ctrl c/ctrl v demais,
e os desabafos eram sempre enter-delete-delete-delete-digitando novamente.
E NA HORA DA BRIGA TUDO ERA MUITO CAPS LOCK.
Daí as histórias que ele inventava faziam muito mais sentido porque não precisavam fazer sentido. Inclusive esse texto aqui está meio confuso por causa do próprio menino. Quando pensava em escrever e descrever algo sobre ele... Tcham! Não dava mais tempo. Ele já havia se tornado outra coisa. Não sei mais o que dizer sobre o menino. Apenas que ele era alguém gostável e doce o suficiente para que eu tivesse vontade de tentar tirar-lhe uma fotografia em forma de texto. Agora mesmo, por exemplo, ele já mudou de posição, e está a correr por aí. E daqui a pouco vai estar meio colorido, e logo mais estará muito compenetrado em alguma idéia fundamental para a humanidade.

Agora neste momento ele é inventor de historinhas e ----- medroso
Agora neste momento ele é inventor de historinhas e ----- apaixonadinho
Agora neste momento ele é inventor de historinhas e ----- manipulador
Agora neste momento ele é inventor de historinhas e ----- alegre
Agora neste momento ele é inventor de historinhas e ----- mais nada
Agora neste momento ele é inventor de historinhas e ----- briguento
Ctrl c Ctrl v ----------------------------------------------------- (o infinito)

- Ah, vai... Fala sério! Diz aí se não fico bonita desse jeito...
- Na verdade até que você seria bonita, mas precisaria colocar um saco de pão na cabeça e fazer dois furinhos pros olhos.
- Mas eu JÁ estou usando um saco de pão!!!
- Verdade... Então use um saco de pão em cima desse saco de pão, oras. Não complique as coisas.

delete-delete-delete
Enter.


06 setembro, 2010

Eu amo jujubas

Geralmente eu me defino por uma palavra: es-tra-nha. Não poderia ser diferente. Disso vem a razão de eu escrever textos assim, tãããão estranhos. Então, por até hoje eu nunca ter confiado exatamente em ninguém para dividir minhas estranhices mais secretas, eu preferi escrever sobre as coisas desse mundo, sobre as pessoas no mundo, e minhas sinceras dúvidas e sensações sobre ele. E assim me vem à cabeça tantos e tantos pensamentos, que acho que nunca terei tempo de falar exatamente sobre o mais profundo de mim mesma. Ainda bem. Faz dois aninhos que escrevo aqui no blog, e constato que a minha visão sobre várias coisas nunca vai poder dizer quem eu sou. Pelo simples motivo de que eu quase nunca escrevo sobre mim, mas sim sobre os outros em mim. E também porque até isso muda com tanta intensidade, e velocidade, que seria perda de tempo congelar qualquer história dessas no tempo, pra ver se continuaria fazendo sentido mais tarde. Reli quase todos os relatos que coloquei aqui, e isso foi pra mim como uma colcha de retalhos, pedacinho a pedacinho, tudo muito bem costuradinho por palavras, metáforas e muita vontade de conseguir se expressar e se fazer entendida por qualquer um, cada um podendo entender em sua liberdade de pensamento. Porque pra mim a escrita lacrada, reduzida, intolerante com outras interpretações me fere um dos princípios mais caros da vida: o direito de ver e compreender segundo cada alma.
Antes eu escrevia no papel. Mas depois eu pensei em como seria legal se alguém se identificasse com alguma idéia, e quem sabe conseguisse interpretar do mesmo jeito que eu. Aqui eu acabei escrevendo um pouco melhor que antes porque pude desenvolver um estilo, pude esticar a criatividade. E, por fim, pude me sentir melhor e extravazar minhas impressões. Que coisa bacana é escrever! =) É um motivo de real felicidade pra mim. Adoro quando me vem uma idéia-alfinete na cabeça (quase sempre uma frase, bem pontiaguda), e ela fica me provocando o tempo inteiro, até que eu a coloque em algum lugar. Daí eu sento, e escrevo e escrevo e escrevo. Ufa! =) Cada historinha que eu termino me traz um alívio...! Eu me divirto com minhas maluquices.
Acordei lembrando, que engraçado, do japinha (tipo-virando-um-dos-melhores-cozinheiros-do-mundo) e sua concentração profunda em fazer um perfeito yakisoba. Lembrei de Beto sendo depilado e eu naquela carnificina alegre! Ele salvou minha noite. De Gabi brigando comigo porque assim todo depilado ele ia ficar menos sexy. E eu rio e me divirto com muitas coisas, com meus amigos antigos que recuperei, com esses novos amigos tão especiais que eu fiz, com tanta coisa inesperada que começa a acontecer. Mas minha vida sempre pareceu novela mesmo, eu já estou acostumada. Não, não estou. Mas ainda assim eu quero essa vida.
Feliz dois anos, meu bloguinho. =) Você é um pedacinho de mim.