Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





27 novembro, 2011

Parênteses

Se eu pudesse voltar ao passado, o que eu mudaria? Coisa nenhuma, pois já passou, não está mais. Tudo o que foi amado, tudo a que eu fui entregue, foram para que eu chegasse neste dia. Todas as lágrimas, e noites frias, e o aperto no coração pela manhã, e os "nãos" que recebi, e minhas fases boas e ruins, tudo, tudo, toda a dor, tudo o que acabou, todas as coisas do meu mundo se perderam para que eu me sentisse como me sinto. Leve. Para que eu conversasse com sapatinhos de bebê, com roupinhas miúdas, por horas inteiras.

Escrever seja lá o que for tem me feito bem, é o tempo que eu tenho para tentar organizar tanta coisa nova, e para constatar uma vez mais que não dá pra continuar sendo o que se foi. Tenho uma nova família, e está tudo tão verdinho, tão delicado ainda, com cheiro de terra molhada depois da chuva, de roupas com amaciante, de lasanha saindo do forno. E são tantas expectativas e tantos sonhos que preciso me aquietar um pouco, curtir o que está acontecendo, me sentar e ser feliz sem mais nada, porque eu já tenho tudo, mesmo sem merecer.

Estou em fase de provas na faculdade, sem muito tempo para escrever. Mas as historinhas continuam pipocando na cabeça. Um bjo, bloguinho, depois a gente se vê. O próximo texto será em homenagem ao amor de minha vidinha. =p

20 novembro, 2011

Uma serenata para Maria Leão

Jesus! Maria! José!
Ó pessoa desafinada que vem à minha janela me fazer uma serenata!
Me flagra de cabelos crespos, roupa amarrotada e bafo de leão,
remela nos olhos, unhas descascadas, pé e chulé,
vou até este insano lhe dizer o que é.
Que é para ele aprender a não tentar seduzir uma dama assim, desprevenida desta maneira e qualidade, dormindo no mais alto dos sonhos, roncando tal qual grilos em coro. 
Dizer a ele que compromisso não quero, um homem a tiracolo não peço, ele que não se tire a besta de...

"...Perdão, se ouso confessar-te eu hei de sempre amar-te...
Ó flor, meu peito não resiste,
ó meu Deus o quanto é triste
a incerteza de um amor que mais me faz penar
em esperar em conduzir-te um dia ao pé do altar..."


...mas por favor, pare com esta cantoria! Que os vizinhos já acordam,
que o mundo já me cobra que eu  participe de um romance,
que eu largue de ser excluída, ostra, reclusa, difícil.

Mas espere, moço desafinado, não sinta as dores de minhas patadas cavalares, não agora, me sinto só. A quem desprezarei? E quem a mim retornará? Se com ternura te recebo, por qual motivo me amarias? Não desejo retribuições, pois estas se mal acostumam, tornam-se exigentes, esquecem da pura boa vontade. Tratá-lo bem seria como adestrar a um animal, que deixa de ser animal, deixa de ser forte, torna-se tolo e folgado com a água e a sombra. Se quiser meus carinhos, deixe o amor para lá, então.

Vês? Sou impossível, impassível. Criança boba e mimada que pensa: Terei juventude e vigor para sempre! Apenas não posso recompensá-lo, pois o mérito do amor seria todo seu. Quero começar do marco zero, de um coração que nem sequer me nota, e a partir disto esmurrar tigres e ursos por cada pedaço, por cada pulsar do coração que eu decidir amar. Eu quero um mérito também para mim, porque também sou fera, e caço a presa observada até que ela se renda, suspire. Fica comigo, mas guarde sua serenata. Que ela é bonita demais para meus instintos agressivos. Moço desafinado, não pretendo alimentá-lo, protegê-lo, guardá-lo. Eu quero  a caça, quero a luta, quero a presa. E que esta presa, já com a jugular encaixada em meus dentes, lá no profundo de seu olhar, me ame. Menos do que isso seria infeliz, incompleta. Menos do que isso seria apenas uma retribuição.

19 novembro, 2011

Dialeto

Pororó, tuco tuco, xizzzz, ribana teclovski, redifun, saueri, melacolexa, chusman.

Se ela pudesse, inventaria um dialeto. Assim conseguiria falar sobre seus sonhos.

12 320304000000-1    47747  45   4785778/0001-7   000000000005  00 2388434634637826

Se ela pudesse, escreveria em sequências numéricas.




















Se ela pudesse, se expressaria de mil e outras maneiras.

Pássaro amor barriga tudo sei  não sei ao lado  feche a porta economia  marrom-branco-lilás aliança trabalho  que alegria  sabedoria   melhores dias de minha vida.

Pressupõe tão absoluta nobreza, ó certeza? Vens desautorizada,
 viciada,
 ensaiada,
 enjoada,
 peço que saia.

Vá, não se demore, que o dia mal começa e já sinto saudade de nós, pois que a felicidade é um dormir e acordar sem saber dos entre-meios, é sentir uma vibração vez ou outra como um arrepio de algo bom, simples, doce e por vezes (porque não?) duvidoso, incerto mesmo, o que se quer mais da vida?

Se ela pudesse, ela teria um dialeto, bobinho assim, sem muitos detalhes e riquezas assim, só para escrever músicas incompreensíveis de melodia boa, só para conversar com a filhinha em código secreto, só para amar do seu jeito.

E então...um dia...ela o inventou. Inventou o tal dialeto.

Inventou e ainda inventa, devagarzinho. Terilofu-perdão a quem o dialeto não foi ensinado. Mas é que é só para as pessoas fagatéfi-eternas no coração. E as não-eternas, deixou-as belas
no cantinho
da gaveta
da chave
do cofre
de um lugar que muito lhe importa.
whatever...

anywhere...


Guvinoteka, xeiquinvo, tsobe,
rakabon, telidesjo, 
amor, Amor, há mor, a-m-o-r, amor, amor, amor, amor, como te escrever, como te descrever, como te ser, como te dizer, como te fazer, quem é você?
Estás em mim.

12 novembro, 2011

Eu tenho uma felicidade

Fazem nove meses que não escrevo... O tempo de uma gestação.

Esse cantinho me fez falta algumas vezes. Minhas historinhas chegavam perto de mim e algum tempo depois iam embora, desanimadas porque sabiam que não seriam escritas. Na verdade, o meu prazer mudou de foco. Não quero mais o que sai de mim, as idéias, amores, tristezas. Não quero mais o que estava em meu coração. Eu quero o que está na minha barriga. É uma coisa assim, visceral, um soco na cara todos os dias e uma felicidade silenciosa. Ter um bebê. Uma sensação que eu posso descrever, mas não há ninguém com quem se possa dividir exatamente. Pancadinhas leves dentro de mim. Pequenos chutes noturnos que me tiram o sono e me inundam de não sei o quê de incrível e poderoso. Eu amo esse bebê mais do que qualquer sonho de amor que eu já tive um dia, acordada.

Um bebê dói. A gente morre, enfim. E a morte que eu procurava, eu encontrei. Porque sou a mesma Danielle, com esse jeito meio maluco e estranho, mas dentro de mim a minha barriga me transforma. Me sacoleja depois que cada pedacinho d'alma encontra seu fim para nascer de novo.

Tenho um bebê comigo, ouvindo as músicas que eu ouço, passeando comigo por todos os cantos, comendo tudo o que eu como. Sentindo tudo o que eu sinto. Um bebê dentro de mim é o amor mais perfeito que eu poderia ter tido. Às vezes eu choro de uma alegria engraçada, e ataco uma panela de brigadeiro porque é tão bom se sentir inteira, completamente feliz por causa de um chute. Eu e o bebê temos conversas legais. Tipo papo cabeça.

Agora o bloguinho não tem uma dona só. O bebê também vai registrar sua evolução e suas historinhas (possivelmente historinhas muito melhores que as minhas). Eu tenho uma felicidade morando de mim.