Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





05 julho, 2012

Para aquela dona a quem eu dominava

Me perdoe. Não por eu ter ido embora, mas por ter ficado tempo demais.

Devia ter me despedido mais cedo, devia ter lhe mentido só um pouquinho, não tanto desse jeito. Mas eu sempre fui assim. Quando a tentação chegava, eu cedia logo antes que ela fosse perdendo a força. Eu me ria por dentro de sua paixão, achava ela tão bibelô, vontade de apertar e colocar no colo e depois guardar numa caixinha para eu mostrar a meus inimigos internos como alguém me queria nesse tamanho e quantidade.

Não era maldade do meu coração, você era um tesouro que eu não sabia para que servia, então eu ficava protegendo debaixo de minha asa até descobrir. O que você passou por mim eu também passei por alguém. Não era maldade do meu coração, eu sabia que você valia, era jóia fina e preciosa, mas era jóia que destoava do meu gosto, de minhas maneiras. Você nunca combinou comigo. Parece que só você não via. Aliás, insistia. Você insistia em tornar tudo degradante, insistia em pensar e sofrer até sangrar bem fundo, você queria gastar o tanto que tivesse de solidão no peito, gritar no maior sufoco da garganta, pra ver se expurgava, pra ver se acabava duma vez. Mas eu prolifero em você, a dor que eu lhe causo só explode a todo instante, sem lhe dar sossego. Vamos ser amigos? Me diga que não. Tenha um mínimo de vergonha, e fique tranquila que a partir de agora eu permito que você me odeie, eu permito que você não me procure e sobretudo eu permito que você procure outra pessoa. Mas não vá pra muito longe, fique debaixo de minha vista. Que se essa pessoa lhe magoar, você corra de volta pra mim. Porque entre essa pessoa e eu, é melhor que eu lhe iluda porque eu já sou de casa.



a Flávia Bin