Um blog cheio de mimimi, com um título sem sentido e um template sem muita originalidade.





21 setembro, 2012

A vida vale



o azulejo é muito frio, não gosto de tocar nele com os pés. Os chinelos não encontro, então permaneço na cama por longos minutos, e sem ter coragem de levantar eu penso em todo mundo nos seus mínimos detalhes, e em cada palavra, e penso até no capítulo da novela de ontem, no filme da semana passada, penso nas ruas e nas avenidas e no guarda roupa que terei de abrir para procurar uma roupa e

sair de casa mais uma vez, mas não gosto do ar frio da manhã, então procuro os carros, as pessoas que caminham, a manchete do jornal, o destino do ônibus, um assento no ônibus, o ponto de descer. E desço, mais pesado que ultimamente, com o estômago ainda embrulhado, e me prendo em uma única coisa para não esmorecer - domingo, na praia, somente eu e aquele mar. Penso nisso como o último restinho de oxigênio para

poder enfrentar a rotina, a calamidade, a morte, o choro, aquele grito que não sai da minha cabeça, aquela linda criança que ficou sem pai e eu impotente, e de repente em qualquer lugar me pego chorando de qualquer jeito, me sentindo indigno de sentir um instante de paz, se ao meu redor há tamanha dor e eu não queria, mas eu fico num estado que nem sei. A moral da história é

que eu todo dia me cobro uma melhorazinha de nada em nome de tudo o que fizeram por mim, em nome de tudo o que eu não precisei passar e eu nome de tudo o que eu sofri. Mas deixe eu lhe dizer uma coisa que não fui eu que inventei, mas isso marcou minha vida. Sabe quando abrimos os olhos pela manhã sentindo uma bala de canhão no peito? O nome disso é esperança. É a coisa mais doce e mais amarga que poderia acontecer na face da terra, essa tal esperança. Num piscar de olhos ela cria em si tanto poder e tamanha devassidão que eu suspiro, apenas suspiro, pois

eu sou esperança demais, e portanto erro, falho, agrido, berro e escandalizo, me arrependo, ironizo, choro, me desvalorizo, só porque sei que haverá um depois para tudo. Claro que um dia não haverá depois, e essa é a chamada dor mestra, agonia de todos os povos. Serei muitas outras coisas daqui para frente, e eu me propus a uma doideira que ninguém compreende, afinal não é da conta de ninguém, mas vale a pena tentar. Ainda sinto frio, não gosto do frio. Me faz me sentir só. Voltarei para a cama quentinha, para o meu ninho, enquanto isso o mundo sangra, o mundo sorri, e confunde tudo o que é.

Girley, Eloísa - o céu
Rodrigo, Isabela, Kemilly - amor
Murilinho - deixe logo esse sono e volte pra Aracaju

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